O misterioso mundo da supercondutividade
Foto: Institute for Scientific Information
Quando uma corrente elétrica percorre um condutor (como um chuveiro, forno elétrico ou lâmpadas incandescentes), este irradia calor em decorrência do efeito Joule . Essa irradiação representa uma perda considerável de energia, da ordem de 2,5% nos casos de transmissão pela rede elétrica. Para uma usina similar à hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, com potência instalada de aproximadamente 1.000 megawatts, a perda corresponde a 25 megawatts, o suficiente para abastecer mais de 2.500 residências.
Até a primeira década do século 20, não havia qualquer expectativa para se mudar esse panorama. A resistência elétrica era algo inerente aos condutores e não havia nada que se pudesse fazer: a humanidade que aprendesse a lidar com esse desperdício natural. Até que, de repente, ao desenvolver a tecnologia para a liquefação do hélio, em 1911, o físico holandês Heike Kamerlingh Onnes (1853-1926) descobriu que alguns metais apresentavam resistência nula em temperaturas inferiores a 4,2 K (- 269ºC), exatamente a temperatura em que o hélio passa do estado gasoso para o líquido.
Deve ter sido enorme a alegria que tomou conta de cientistas e engenheiros da época. Conduzir eletricidade sem perda? Um sonho inimaginável! Mas, entre idas e vindas, ele foi se convertendo em pesadelo, diante das dificuldades para a compreensão do fenômeno e para a obtenção de materiais apropriados. Em1986, porém, o sonho voltou com força total.
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